pedrodefaria

trinta dias vinte e poucos camelos

existe agora no mesmo nível que sempre existiu e não há de deixar jamais de existir um verdadeiro terror do tal fazer. o que harmoniza deliciosamente com a abundância do pensar e falar. e falar de se sentir mal por ter pensado e não ter feito.

mas não é tempo de derrotismo, mesmo que não cesse por completo que ao menos esse terrível inquilino ceda espaço, primeiro para o medo, que claramente vai se sentir desconfortável, seguir o irmão mais velho para os quartos menores e deixar o desconforto ocupar a suíte. ele merece.

com isso em mente, cá estou na doidosfera há trinta sóis. um microcosmo que, de forma bem organizada, apresenta em seu quadro de avisos uma diversa grade de atividades - encorajadas mas eletivas. dentre o que me é proposto alcanço elevada porcentagem de de execuções por cabeça, especialmente em comparação com a lamentável média histórica.

cabe, num talvez desnecessário zelo por transparência, que dentre as cerca de vinte chamadas à aventura, quatro são brincar de argila e três são cantar no karaokê.

ainda assim, essas ativações continuadas me permitem listá-las como vitórias, numa espécie de orgulho auto infligido. ora, se com tanta frequência nos cobre punimos desproporcionalmente por falhas, é justo e moral por vezes puxar a sardinha pro lado de cá, seja por empatia ou apenas carência. e, sério, você tem que ver minhas esculturinhas, um amor. as cantorias seguem a mesma merda, mas o público é bem melhor.

todavia, a sensação dominante é mesmo que por toda a vida quando me colocar todo à vista, após uma troca viva de ideias, a mente se ilumina mas o ato duvida e o potente e profundo esverdear do mundo a ser criado se resume àquelas gramas ressecadas e por aparar na beira de uma rua, o mato da via, preguiça pura.


pedrodefaria




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