minuta
são 20h51.
agora são 53. não é fácil ter um momento para escrever na clínica. mas vale a pena.
vale a pena também estar aberto às interações. é integral sim ao tratamento essa forçosa socialização microcósmica, e portanto, buscar evitá-la a todo custo é de fato mais custoso na média final.
hoje, no entanto, para mim é claro que essa comunidade inescapável vem significando mais veneno que remédio. algo natural após tanto tempo nesse loop. a densidade de interações, as eventuais obsessões, e a sensação não de todo injusta de ser passatempo e distração para outros, mais ou menos não importa, doidos como eu.
porém, como recente escrevi e no último sábado revivenciei, há amores que nunca vão entender. o que sobe do caldeirão - como das bruxas em um desenho antigo - de medicações, traumas, carências, jornadas, idades, desistências, destruições, medos, esperanças, amizades e brigas das mais variadas, se misturando com o nitrogênio e o oxigênio, formando uma atmosfera, é um deles.
há muito espaço para auto reflexão, e entender que o mundo inteiro pode mudar - e há de mudar - ao nosso redor reforça a cabeça para lidar e as técnicas de fuga para evitar.
meu psiquiatra alocado após a misteriosa saída do Mel, tendo assim sempre um ar de temporário e talvez por isso desinteressado, acabou de me abordar, confirmando a impossibilidade de estar "em público" sem que nos venham falar. o assunto se faz justificado quando questionado por sua urgência.
combinamos minha alta. em sete dias. na próxima segunda-feira.
são 21h09, tenho que tomar minha medicação.
pedrodefaria